{"id":8339,"date":"2021-05-03T20:30:52","date_gmt":"2021-05-03T18:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/?page_id=8339"},"modified":"2021-05-03T20:32:52","modified_gmt":"2021-05-03T18:32:52","slug":"introducao-ciclos-recorrentes-de-auge-e-recessao-versus-crises-pontuais-devidas-a-fenomenos-extraordinarios","status":"publish","type":"articulo","link":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/articles\/artigos-em-portugues\/os-efeitos-economicos-da-pandemia\/introducao-ciclos-recorrentes-de-auge-e-recessao-versus-crises-pontuais-devidas-a-fenomenos-extraordinarios\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o: ciclos recorrentes de auge e recess\u00e3o versus crises pontuais devidas a fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Tradicionalmente, os te\u00f3ricos da Escola Austr\u00edaca prestam aten\u00e7\u00e3o aos ciclos recorrentes de auge e recess\u00e3o que afectam as nossas economias, e ao estudo da rela\u00e7\u00e3o que existe entre estes e as altera\u00e7\u00f5es nas etapas da estrutura dos bens de capital que os caracterizam. A Teoria Austr\u00edaca dos Ciclos Econ\u00f3micos \u00e9, sem d\u00favida, um dos expoentes mais elaborados de entre as contribui\u00e7\u00f5es anal\u00edticas da Escola. Esta foi capaz de explicar como os processos de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, impulsionados e orquestrados pelos bancos centrais (e executados pelo sector dos bancos privados, que actua com um coeficiente de reserva fraccion\u00e1ria,<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> criando do nada dinheiro em forma de dep\u00f3sitos, o qual injecta no sistema atrav\u00e9s de empr\u00e9stimos \u00e0s empresas e agentes econ\u00f3micos, sem que previamente se tenha produzido um aumento real da poupan\u00e7a volunt\u00e1ria), induzem erros sistem\u00e1ticos de investimento, gerando uma estrutura de produ\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel. Este investimento \u00e9 canalizado artificialmente para v\u00e1rios projectos, demasiado intensivos em capital, que s\u00f3 poderiam dar frutos num futuro mais long\u00ednquo, mas que lamentavelmente n\u00e3o se poder\u00e3o finalizar, pois os agentes econ\u00f3micos n\u00e3o est\u00e3o dispostos a apoi\u00e1-los sacrificando o seu consumo imediato (quer dizer, poupando) na medida necess\u00e1ria. Por este motivo, surgem inevitavelmente processos de revers\u00e3o, que p\u00f5em em manifesto os erros de investimento cometidos e a necessidade de os reconhecer, de abandonar os projectos insustent\u00e1veis e restruturar a economia, transferindo em massa os factores de produ\u00e7\u00e3o (bens de capital e m\u00e3o-de-obra), desde os locais onde se empregaram por erro, para novos projectos, menos ambiciosos, mas verdadeiramente rent\u00e1veis. A recorr\u00eancia do fen\u00f3meno c\u00edclico explica-se, tanto pelo car\u00e1cter essencialmente inst\u00e1vel da banca com reserva fraccion\u00e1ria, principal fornecedora de dinheiro em forma de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, como pelo vi\u00e9s inflacionista da generalidade dos te\u00f3ricos, respons\u00e1veis pol\u00edticos, agentes econ\u00f3micos e sociais e, acima de tudo, bancos centrais, que consideram que a prosperidade econ\u00f3mica \u00e9 um objectivo que se deve conseguir a curto prazo e a qualquer custo, e que a injec\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e de cr\u00e9dito \u00e9 um instrumento do qual em nenhum caso se pode prescindir. Por isso, uma vez iniciada e consolidada a recupera\u00e7\u00e3o, mais cedo ou mais tarde, caem eles de novo nas antigas tenta\u00e7\u00f5es, racionalizam as pol\u00edticas que uma e outra vez fracassaram e reinicia-se todo o processo de expans\u00e3o, crise e recess\u00e3o. E assim sucessivamente.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Ainda que os economistas austr\u00edacos tenham proposto as reformas necess\u00e1rias para que se possa acabar com os ciclos <em>recorrentes<\/em> (basicamente, a elimina\u00e7\u00e3o dos bancos centrais, a reprivatiza\u00e7\u00e3o do dinheiro \u2013 padr\u00e3o ouro \u2013 e a submiss\u00e3o da banca privada aos princ\u00edpios gerais do direito de propriedade privada \u2013 quer dizer, ao coeficiente de caixa de 100% para os dep\u00f3sitos \u00e0 vista e equivalentes)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, eles sempre salvaguardaram que estas reformas n\u00e3o podem evitar o aparecimento das crises econ\u00f3micas de tipo pontual e n\u00e3o-recorrente, sempre que estas sejam consequ\u00eancia de, por exemplo, guerras, transtornos pol\u00edticos e sociais graves, desastres naturais ou pandemias, e se produza um grande incremento da incerteza com modifica\u00e7\u00f5es s\u00fabitas na procura por dinheiro e, eventualmente, na taxa social de prefer\u00eancia temporal, mudan\u00e7as essas que, inclusivamente, podem induzir modifica\u00e7\u00f5es permanentes nas etapas da estrutura produtiva de bens de capital.<\/p>\n<p>Assim sendo, no presente trabalho, vamos analisar at\u00e9 que ponto uma pandemia como a actual, que, por outro lado, se repetiu em numerosas ocasi\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, pode desencadear estes e outros efeitos econ\u00f3micos, e at\u00e9 que ponto a interven\u00e7\u00e3o coerciva dos estados pode aliviar os efeitos negativos das mesmas ou se, pelo contr\u00e1rio, esta interven\u00e7\u00e3o pode chegar a ser contraproducente, agravando esses efeitos, tornando-os ainda piores e mais duradouros. Na primeira parte, a aten\u00e7\u00e3o da nossa an\u00e1lise vai-se centrar no estudo do poss\u00edvel impacto da Pandemia sobre a estrutura econ\u00f3mica. Em seguida, e em segundo lugar, vamos partir do funcionamento da ordem espont\u00e2nea do mercado, impulsionado pela efici\u00eancia din\u00e2mica de um sistema empresarial livre e criativo e dedicado, de forma descentralizada, a detectar os desafios e problemas gerados por uma pandemia. Por contraste e em oposi\u00e7\u00e3o, analisaremos o problema da impossibilidade do c\u00e1lculo econ\u00f3mico e da aloca\u00e7\u00e3o ineficiente dos recursos, nos casos em que as decis\u00f5es se pretendam tomar e impor desde cima, ao n\u00edvel pol\u00edtico: quer dizer, de forma centralizada e utilizando o poder coercivo e sistem\u00e1tico do Estado. Na terceira e \u00faltima parte deste trabalho, estudaremos o caso particular da interven\u00e7\u00e3o maci\u00e7a nos mercados monet\u00e1rios e financeiros, por parte dos governos e, principalmente, dos bancos centrais, numa tentativa de fazer frente \u00e0 Pandemia e de mitigar os seus efeitos. Daremos especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas simult\u00e2neas de cortes fiscais e aumento do gasto p\u00fablico, as quais, sob o pretexto da paralisa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, se apresentam como panaceia e rem\u00e9dio universal para os males que nos afligem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> [Por reserva fraccion\u00e1ria entende-se o sistema financeiro onde os bancos n\u00e3o mant\u00eam a totalidade dos dep\u00f3sitos custodiada nos seus cofres, como reserva para fazer face \u00e0s necessidades imediatas de reembolso aos depositantes, mas apenas uma parte (frac\u00e7\u00e3o) daqueles, sendo o resto emprestado a terceiros. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> [Este par\u00e1grafo, carregado de informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um resumo bastante condensado da chamada Teoria Austr\u00edaca do Ciclo Econ\u00f3mico, de acordo com as ideias que o professor Huerta de Soto exp\u00f5e ao longo do seu livro <em>Dinheiro, Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio e Ciclos Econ\u00f3micos<\/em>, em particular nos cap\u00edtulos IV e V. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> [Estas propostas est\u00e3o desenvolvidas no cap\u00edtulo IX da ob. cit<em>.<\/em> Dep\u00f3sitos \u00e0 vista, ou dep\u00f3sitos \u00e0 ordem, s\u00e3o todos aqueles em que o deposit\u00e1rio tem a obriga\u00e7\u00e3o imediata de restituir o dinheiro no momento em que o depositante (ou algu\u00e9m com o seu consentimento expresso, por exemplo, atrav\u00e9s de um cheque) assim o exija. (N.T.)]\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":8330,"menu_order":0,"template":"","article-language":[],"class_list":["post-8339","articulo","type-articulo","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo\/8339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/articulo"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo\/8330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"article-language","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/article-language?post=8339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}