{"id":8360,"date":"2021-05-03T20:44:45","date_gmt":"2021-05-03T18:44:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/?page_id=8360"},"modified":"2021-05-03T20:55:06","modified_gmt":"2021-05-03T18:55:06","slug":"pandemias-burocracia-e-coercao-governamental-sistematica-versus-coordenacao-social-espontanea","status":"publish","type":"articulo","link":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/articles\/artigos-em-portugues\/os-efeitos-economicos-da-pandemia\/pandemias-burocracia-e-coercao-governamental-sistematica-versus-coordenacao-social-espontanea\/","title":{"rendered":"Pandemias: burocracia e coer\u00e7\u00e3o governamental sistem\u00e1tica versus coordena\u00e7\u00e3o social espont\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Teorema da Impossibilidade do Socialismo e a sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 crise actual<\/strong><\/p>\n<p>A reac\u00e7\u00e3o dos diferentes governos e autoridades p\u00fablicas do mundo (em especial do nosso pr\u00f3prio pa\u00eds, Espanha) perante o surgimento e a evolu\u00e7\u00e3o da Pandemia de COVID-19, as medidas de interven\u00e7\u00e3o que tomaram de forma sucessiva e o seguimento dos efeitos das mesmas, constituem uma oportunidade \u00fanica para qualquer economista te\u00f3rico que deseje constatar, comprovar e aplicar a um caso hist\u00f3rico que nos \u00e9 muito pr\u00f3ximo e relevante o conte\u00fado essencial e as principais implica\u00e7\u00f5es do \u201cTeorema da Impossibilidade do Socialismo\u201d, articulado por primeira vez por Ludwig von Mises, faz agora 100 anos.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref1\">[18]<\/a> \u00c9 certo que o desmoronamento da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do socialismo real, assim como a crise do \u201cEstado-Provid\u00eancia\u201d, j\u00e1 ilustravam suficientemente o triunfo da an\u00e1lise dos economistas da Escola Austr\u00edaca no hist\u00f3rico debate sobre a impossibilidade do socialismo. Por\u00e9m, a tr\u00e1gica irrup\u00e7\u00e3o da Pandemia de COVID-19 ofereceu-nos um exemplo real adicional \u2013 neste caso, muito mais pr\u00f3ximo e concreto \u2013 que de forma excelente ilustra e confirma aquilo que a teoria j\u00e1 afirmava, a saber: que \u00e9 teoricamente imposs\u00edvel que um planificador central consiga dar um conte\u00fado coordenador aos seus mandatos, independentemente do qu\u00e3o necess\u00e1rios estes pare\u00e7am, qu\u00e3o nobre seja o objectivo que se persegue ou a boa-f\u00e9 e o esfor\u00e7o que se coloquem na consecu\u00e7\u00e3o dos mesmos.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref2\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Dado o impacto mundial da actual Pandemia, que afectou todos os pa\u00edses independentemente da sua tradi\u00e7\u00e3o, cultura, n\u00edvel econ\u00f3mico e sistema pol\u00edtico, evidencia-se a plena aplicabilidade do teorema descoberto por Mises a respeito de todas as medidas coercivas de interven\u00e7\u00e3o estatal, pelo que o mesmo se generaliza como \u201cTeorema da Impossibilidade do Estatismo\u201d. \u00c9 certo que existem diferen\u00e7as not\u00e1veis no que diz respeito \u00e0s medidas de interven\u00e7\u00e3o levadas a cabo por distintos governos. No entanto, mesmo quando a gest\u00e3o de uns ou outros governos possa ter sido melhor ou pior, na realidade as diferen\u00e7as foram mais de grau que de classe, pois os governos n\u00e3o podem dissociar-se da ess\u00eancia coerciva que transportam no seu ADN, e que \u00e9 a sua caracter\u00edstica mais \u00edntima. Quando a exercem, e precisamente na medida em que a exer\u00e7am, surgem e reproduzem-se iniludivelmente todos os efeitos negativos previstos pela teoria. N\u00e3o se trata, portanto, de que uns governantes sejam mais ineptos que outros (algo que s\u00e3o, sem d\u00favida, no caso de Espanha)<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref3\">[20]<\/a>, mas de que todos eles est\u00e3o condenados ao fracasso quando se empenham em coordenar a sociedade utilizando o seu poder e mandatos coercivos. Esta \u00e9, talvez, a mensagem mais importante que a teoria econ\u00f3mica deve transmitir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o: que os problemas surgem inevitavelmente do exerc\u00edcio do poder coercivo dos Estados, independentemente de o pol\u00edtico de servi\u00e7o poder fazer um melhor ou pior trabalho.<\/p>\n<p>Ainda que este artigo trate do car\u00e1cter geral da an\u00e1lise econ\u00f3mica das pandemias, vamo-nos centrar, quase exclusivamente, nas implica\u00e7\u00f5es da Pandemia actual face ao \u201cTeorema da Impossibilidade do Estatismo-Socialismo\u201d. Faz\u00eamo-lo n\u00e3o s\u00f3 pela proximidade cronol\u00f3gica e pessoal dos factos para qualquer leitor actual, mas tamb\u00e9m porque os modelos de interven\u00e7\u00e3o levados a cabo noutras pandemias se encontram muito afastados na hist\u00f3ria, e ainda que tamb\u00e9m se possam identificar muitos dos fen\u00f3menos similares aos de que recentemente somos testemunhas (por exemplo, a manipula\u00e7\u00e3o informativa dos Estados Aliados durante a pandemia de gripe de 1918, erroneamente chamada \u201cespanhola\u201d precisamente por este motivo), sem d\u00favida que o seu valor acrescentado como ilustra\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise te\u00f3rica \u00e9, hoje em dia, mais reduzido.<\/p>\n<p>Como se explica ao pormenor no meu livro <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, em particular no seu cap\u00edtulo III que deve considerar-se aqui como reproduzido,<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref4\">[21]<\/a>\u00a0 a ci\u00eancia econ\u00f3mica demonstrou que \u00e9 teoricamente imposs\u00edvel que o Estado possa funcionar de uma maneira dinamicamente eficiente, j\u00e1 que se encontra sempre numa situa\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia inerradic\u00e1vel que lhe impossibilita dar um conte\u00fado coordenador aos seus mandatos. Isto deve-se principalmente a quatro motivos, que enumeramos em seguida, do menos para o mais importante:<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, devido ao imenso volume de informa\u00e7\u00e3o e conhecimentos necess\u00e1rios, n\u00e3o s\u00f3 de tipo t\u00e9cnico ou cient\u00edfico, mas principalmente quanto \u00e0 infinidade de circunst\u00e2ncias pessoais e particulares de tempo e de lugar (conhecimento \u201cpr\u00e1tico\u201d); em segundo lugar, devido ao car\u00e1cter essencialmente subjectivo, t\u00e1cito, pr\u00e1tico e n\u00e3o-articul\u00e1vel de dita informa\u00e7\u00e3o ou conhecimento, o qual determina o seu car\u00e1cter intransfer\u00edvel ao \u00f3rg\u00e3o estatal de decis\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o central; em terceiro lugar, porque este conhecimento ou informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 dado nem \u00e9 est\u00e1tico \u2013 pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 em mudan\u00e7a cont\u00ednua, como consequ\u00eancia da capacidade criativa inata do ser humano e da cont\u00ednua muta\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias que o rodeiam, que produz um efeito duplo sobre as autoridades: chegam sempre tarde, pois quando digerem a informa\u00e7\u00e3o escassa e enviesada, esta j\u00e1 se encontra obsoleta; e n\u00e3o podem acertar nos seus mandatos face ao futuro, pois isto depende de informa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica que ainda n\u00e3o apareceu, pois ainda n\u00e3o foi criada. E, como vimos, em quarto e \u00faltimo lugar, n\u00e3o esque\u00e7amos que o Estado \u00e9 coer\u00e7\u00e3o (esta \u00e9 a sua caracter\u00edstica mais \u00edntima) e, portanto, ao impor os seus mandatos, pela for\u00e7a, em qualquer \u00e2mbito social, obstaculiza-se, ou inclusivamente bloqueia-se, precisamente a cria\u00e7\u00e3o e o aparecimento do conhecimento ou informa\u00e7\u00e3o de que o Estado precisa \u201ccomo p\u00e3o para a boca\u201d para poder dar um conte\u00fado coordenador aos seus mandatos. Percebe-se assim o grande paradoxo do intervencionismo estatista<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref5\">[22]<\/a>, que, invariavelmente, tende a produzir resultados opostos aos que se prop\u00f5e alcan\u00e7ar. Deste modo, com car\u00e1cter t\u00edpico e generalizado, surgem por toda a parte os desajustes e as descoordena\u00e7\u00f5es, a actua\u00e7\u00e3o sistematicamente irrespons\u00e1vel por parte da autoridade (que nem sequer se d\u00e1 conta do cega que est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui, nem ao verdadeiro custo em que incorre com a suas decis\u00f5es), a gera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de escassez, a falta de\u00a0 abastecimento e m\u00e1 qualidade dos recursos que trata de mobilizar e controlar, a manipula\u00e7\u00e3o informativa para se refor\u00e7ar politicamente e a corrup\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios essenciais do Estado de Direito. O aparecimento de todos estes fen\u00f3menos p\u00f4de ser constatado de forma sucessiva, concatenada e inevit\u00e1vel desde o surgimento da Pandemia e desde que o Estado se mobilizou para lutar contra ela. Estes, repetimos, n\u00e3o resultam de m\u00e1s pr\u00e1ticas dos gestores p\u00fablicos, sendo antes inerentes ao sistema que se baseia no uso da coer\u00e7\u00e3o para planificar e tratar de solucionar os problemas sociais.<\/p>\n<p>Como exemplo, recomendamos ao leitor que leia cuidadosamente o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o elaborado por Jos\u00e9 Manuel Romero e Oriol G\u00fcell intitulado \u201cEl libro blanco de la Pandemia\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref6\">[23]<\/a> \u00e0 luz da an\u00e1lise te\u00f3rica que aqui apresentamos sobre a impossibilidade do estatismo. Ali est\u00e3o ilustradas, passo a passo, praticamente todas as car\u00eancias e insufici\u00eancias do estatismo, ainda que os autores, jornalistas profissionais, pensem ingenuamente que a sua descri\u00e7\u00e3o dos factos vai servir para que os mesmos erros n\u00e3o se cometam no futuro, sem que cheguem a perceber que estes tiveram origem, mais do que em erros pol\u00edticos ou de gest\u00e3o, na pr\u00f3pria l\u00f3gica do sistema de regula\u00e7\u00e3o, planifica\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o estatal, que gera sempre, de uma ou de outra forma, os mesmos efeitos de descoordena\u00e7\u00e3o, inefici\u00eancia e injusti\u00e7a. Assim, e como amostra de entre numerosos exemplos, podemos referir a cronologia dos factos perfeitamente descrita pelos autores, e as semanas valiosas que se perderam, quando, j\u00e1 desde o dia 13 de Fevereiro de 2020, os m\u00e9dicos do hospital p\u00fablico de Val\u00eancia, Arnau de Villanova, lutaram sem \u00eaxito por obter autoriza\u00e7\u00e3o das autoridades sanit\u00e1rias da Comunidade Valenciana (e do Estado) para que se fizessem testes de coronav\u00edrus \u00e0s amostras que tinham extra\u00eddo de um paciente de 69 anos que tinha falecido com sintomas que suspeitavam poder ser de COVID-19. Chocaram contra a dura realidade: os correspondentes \u00f3rg\u00e3os de planeamento central sanit\u00e1rio (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em Madrid e Concelhia de Sa\u00fade da Comunidade Aut\u00f3noma) recusaram reiteradamente a autoriza\u00e7\u00e3o, por o paciente suspeito (que muitas semanas depois se demonstrou ter falecido por COVID-19) n\u00e3o reunir as condi\u00e7\u00f5es que previamente (dia 24 de Janeiro) tinham sido fixadas pela autoridade, a saber: ter viajado a Wuhan nos 14 dias anteriores ao in\u00edcio dos sintomas ou ter estado em contacto com pessoas diagnosticadas com a doen\u00e7a. Obviamente, num sistema descentralizado de liberdade empresarial e que n\u00e3o restringisse a iniciativa e a criatividade dos agentes implicados, esse erro garrafal n\u00e3o se teria produzido e, com isso, ter-se-iam ganho algumas semanas chave de conhecimento de que o v\u00edrus j\u00e1 circulava livremente por Espanha e de medidas de preven\u00e7\u00e3o e luta contra a Pandemia (por exemplo, podiam-se ter cancelado, entre outras, as manifesta\u00e7\u00f5es feministas do dia 8 de Mar\u00e7o).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 muito not\u00e1vel o excelente livro de Mikel Buesa, que cit\u00e1mos antes,<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref7\">[24]<\/a> na exposi\u00e7\u00e3o (especialmente nas p\u00e1g. 108 e seguintes) da litania de erros, descoordena\u00e7\u00f5es, corrup\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, supress\u00e3o de direitos e mentiras que de maneira inelud\u00edvel e natural surgiram da actividade dos diferentes n\u00edveis do Estado na hora de enfrentarem a Pandemia. Por exemplo, \u201cas ordens de apreens\u00e3o do material sanit\u00e1rio foram, como \u00e9 l\u00f3gico, interpretadas pelos fabricantes e distribuidores espanh\u00f3is como um ataque \u00e0 sua economia empresarial, dando lugar a uma paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das importa\u00e7\u00f5es\u201d (p\u00e1g. 109), justamente no momento em que o mais importante era proteger do cont\u00e1gio os m\u00e9dicos e o pessoal sanit\u00e1rio, que desempenhavam o seu trabalho todos os dias sem os necess\u00e1rios meios de protec\u00e7\u00e3o. Ou a forma como as requisi\u00e7\u00f5es nas alf\u00e2ndegas, por ordem do Estado, provocaram a perda de milh\u00f5es de m\u00e1scaras, quando os fornecedores destas preferiram envi\u00e1-las a outros clientes por medo que o governo lhes apreendesse a mercadoria (ibidem). Ou o caso, entre muitos outros, do fabricante galego que tinha paralisado num armaz\u00e9m o seu material, por ordem do Estado, sem que ningu\u00e9m o reclamasse (p\u00e1gs. 110-111). Ou o caso das empresas espanholas especializadas no fabrico de testes de PCR cujas exist\u00eancias e produ\u00e7\u00e3o foram intervencionadas pelo Estado, pelo que n\u00e3o puderam fabricar mais de 60,000 testes diariamente nem atender a procura nacional e extrangeira (p\u00e1g. 119); tudo isto agravado pelo engarrafamento na produ\u00e7\u00e3o, derivado da inexist\u00eancia de zaragatoas para extrair as amostras, que se podia ter solucionado de imediato se se tivesse deixado a liberdade aos produtores espanh\u00f3is (p\u00e1g. 114). Ou a falta de abastecimento generalizado que reinou no mercado de m\u00e1scaras, g\u00e9is, desinfectantes e luvas de nitrilo, como resultado da regula\u00e7\u00e3o estatal e da fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os m\u00e1ximos, tudo isto durante os meses de maior propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus (p\u00e1g. 116).<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref8\">[25]<\/a> Ou como, de 971 milh\u00f5es de unidades de diferentes produtos (m\u00e1scaras, luvas, batas, dispositivos de ventila\u00e7\u00e3o e de diagn\u00f3stico, etc., etc.), que se tinham adquirido desde o m\u00eas de Mar\u00e7o ao m\u00eas de Setembro de 2020, s\u00f3 se haviam conseguido distribuir 226 milh\u00f5es, permanecendo o resto armazenado, \u201ca ganhar p\u00f3\u201d em v\u00e1rias naves industriais (p\u00e1g. 118). E assim sucessivamente, num ros\u00e1rio sem fim, que mais se parece \u00e0 descri\u00e7\u00e3o das inefici\u00eancias sistem\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica durante o s\u00e9culo passado e que levaram ao desmoronamento definitivo do regime comunista a partir de 1989.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref9\">[26]<\/a> Repetimos, tudo isto se deveu, n\u00e3o \u00e0 falta de trabalho, de gest\u00e3o e inclusivamente de boa-f\u00e9 dos nossos governantes, mas sim \u00e0 falta dos mais elementares conhecimentos de economia (e isto apesar de se contar com professores de Filosofia e, inclusive, de \u201cdoutores\u201d da nossa disciplina na chefia do governo).<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref10\">[27]<\/a> N\u00e3o se deve por isso estranhar que, num momento de m\u00e1xima urg\u00eancia e gravidade, apostassem, como sempre fazem os governantes, na coer\u00e7\u00e3o, na regula\u00e7\u00e3o, na confisca\u00e7\u00e3o, etc., porque essa \u00e9, precisamente, a sua fun\u00e7\u00e3o ou papel no entramado estatal, em vez de na liberdade empresarial, de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, e em apoiar, em vez de obstaculizar, a iniciativa privada e o livre exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o empresarial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Outros efeitos colaterais do estatismo previstos pela teoria<\/strong><\/p>\n<p>Para l\u00e1 dos efeitos b\u00e1sicos de desajuste, descoordena\u00e7\u00e3o, irresponsabilidade e aus\u00eancia de c\u00e1lculo econ\u00f3mico, o estatismo gera toda uma s\u00e9rie de efeitos negativos adicionais que tamb\u00e9m se poder\u00e3o estudar na parte final do meu livro sobre o Socialismo.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref11\">[28]<\/a> Deste modo, outra caracter\u00edstica t\u00edpica do estatismo e das autoridades que o encarnam \u00e9 a tentativa de aproveitarem a crise, neste caso a criada pela Pandemia, n\u00e3o s\u00f3 para se manterem mas, principalmente, para incrementarem o seu poder, usando a propaganda pol\u00edtica para manipular e, inclusive, enganar sistematicamente os cidad\u00e3os com esse fim.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref12\">[29]<\/a> Por exemplo, e logo desde o surgimento da Pandemia, as autoridades chinesas trataram de ocultar o problema, perseguindo e fustigando os m\u00e9dicos que o haviam denunciado, para depois empreenderem uma descarada campanha de redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de falecidos, oculta\u00e7\u00e3o e falta de transpar\u00eancia, que durou, pelo menos, at\u00e9 hoje, pois neste momento (Janeiro de 2021), quer dizer, mais de um ano ap\u00f3s o aparecimento da Pandemia, o governo chin\u00eas ainda n\u00e3o permitiu o acesso ao seu pa\u00eds de uma comiss\u00e3o internacional organizada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) para investigar de forma independente a origem da Pandemia.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref13\">[30]<\/a><\/p>\n<p>No caso do Estado espanhol, est\u00e3o documentadas nos trabalhos antes citados v\u00e1rias mentiras deliberada e sistematicamente lan\u00e7adas, sob a forma de propaganda pol\u00edtica, para manipular e enganar os cidad\u00e3os, de forma a que estes n\u00e3o pudessem apreciar o verdadeiro custo da gest\u00e3o governamental. Entre elas, pela sua import\u00e2ncia, destacamos as seguintes: primeiro, o n\u00famero real de falecidos (de acordo com Mikel Buesa, s\u00f3 se reportaram 56,4% de um total, at\u00e9 \u00e0 data, pr\u00f3ximo dos 90 000 \u2013 p\u00e1g. 76); segundo, o total de cont\u00e1gios reais (dependendo do momento da Pandemia, entre cinco e dez vezes mais que o n\u00famero de casos reportados); e terceiro, os dados falsos, inflacionados em 50%, facultados deliberadamente ao <em>Financial Times<\/em> a final de Mar\u00e7o de 2020, sobre o n\u00famero de testes PCR realizados (335 000 em vez dos efectivos 235 000), que depois foi usado publicamente pelo governo para se jactar de ser um dos pa\u00edses com mais testes realizados (por exemplo, p\u00e1g. 113 do livro de Buesa).<\/p>\n<p>H\u00e1 que ter em conta que os estados em geral, e os seus governos em particular, concentram-se sempre em alcan\u00e7ar os seus objectivos de uma maneira <em>extensiva e voluntarista<\/em><a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref14\">[31]<\/a>, ao pretenderem que, por mera vontade coerciva, plasmada em mandatos e regulamentos, se alcancem os fins propostos. Extensiva, no sentido em que o cumprimento dos objectivos almejados s\u00f3 se valoriza com base nos par\u00e2metros mais facilmente mensur\u00e1veis \u2013neste caso, o n\u00famero de falecidos, que, curiosamente, como vimos antes, foi reduzido nas estat\u00edsticas oficiais praticamente a metade. Outra t\u00edpica consequ\u00eancia colateral do socialismo \u00e9 a prostitui\u00e7\u00e3o da lei e da justi\u00e7a.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref15\">[32]<\/a> Buesa documenta ao pormenor o abuso de poder e a utiliza\u00e7\u00e3o distorcida e anticonstitucional do Estado de Alarme, quando o que era procedente era a declara\u00e7\u00e3o de um verdadeiro Estado de Excep\u00e7\u00e3o, com todas as garantias de controlo previstas na Constitui\u00e7\u00e3o, desprezando, deste modo, tanto o conte\u00fado essencial da mesma, como o denominado \u201cEstado de Direito\u201d (Buesa, p\u00e1gs. 96-108 e 122).<\/p>\n<p>Men\u00e7\u00e3o \u00e0 parte merece a depend\u00eancia e a cumplicidade, para com o Estado, do coro de cientistas, \u201cespecialistas\u201d e intelectuais, dependentes do poder pol\u00edtico, que se dedica a dar uma esp\u00e9cie de sustent\u00e1culo cient\u00edfico a todas as decis\u00f5es emanadas do mesmo, utilizando-se desta forma a aureola da ci\u00eancia para deixar desarmada e indefesa a sociedade civil. A \u201cengenharia social\u201d ou socialismo cientista \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais t\u00edpicas e perversas do estatismo, pois pretende, por um lado, justificar que os especialistas, atrav\u00e9s do seu supostamente maior n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o e conhecimentos, est\u00e3o legitimados para dirigir as nossas vidas, e, por outro, bloquear qualquer queixa ou oposi\u00e7\u00e3o, escudando-se na suposta base cient\u00edfica das suas decis\u00f5es. Em suma, os governos fazem-nos crer que, por virtude do aparentemente maior conhecimento e superioridade intelectual dos seus assessores cient\u00edficos, em compara\u00e7\u00e3o com os cidad\u00e3os comuns, est\u00e3o legitimados para moldar a sociedade segundo os seus caprichos, atrav\u00e9s de mandatos coercivos. Referi-me noutra ocasi\u00e3o<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref16\">[33]<\/a> \u00e0 litania de erros em que cai esta \u201cembriaguez de poder\u201d, alimentada pela arrog\u00e2ncia fatal dos especialistas e t\u00e9cnicos<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref17\">[34]<\/a>, que tem origem no erro fundamental de pensar que a informa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e dispersa que constantemente criam e transmitem os indiv\u00edduos no processo social pode chegar a ser conhecida, articulada, armazenada e analisada de maneira centralizada atrav\u00e9s de meios cient\u00edficos, algo que \u00e9 imposs\u00edvel, tanto na teoria como na pr\u00e1tica.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref18\">[35]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pandemias: sociedade livre e economia de mercado<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se pode saber, \u00e0 priori, como \u00e9 que uma sociedade livre, que n\u00e3o esteja manietada pela coer\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do intervencionismo estatal, enfrentaria uma pandemia com a gravidade da actual, que, sem d\u00favida, n\u00e3o deixaria de ter tamb\u00e9m um profundo impacto sobre a sociedade em termos econ\u00f3micos e sanit\u00e1rios. Mas tamb\u00e9m \u00e9 evidente que a reac\u00e7\u00e3o da sociedade estaria baseada na criatividade empresarial e, nos momentos de detectar e superar os problemas que se v\u00e3o apresentando, em solu\u00e7\u00f5es dinamicamente eficientes.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><\/a> \u00c9 precisamente este \u00edmpeto da criatividade empresarial o que nos impede de conhecer em detalhe as solu\u00e7\u00f5es que se encontrariam, pois a informa\u00e7\u00e3o empresarial para tal ainda n\u00e3o foi criada, dado que a coer\u00e7\u00e3o monopolista estatal o impede, e n\u00e3o pode ser conhecida hoje, ainda que, ao mesmo tempo, o facto de a criatividade empresarial resolver problemas de forma \u00e1gil e eficiente nos d\u00ea seguran\u00e7a neste m\u00e9todo.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref20\">[36]<\/a> Isto \u00e9, e tal como temos vindo a analisar, exactamente o contr\u00e1rio do que sucede com o Estado e com a ac\u00e7\u00e3o combinada dos seus pol\u00edticos e burocratas, independentemente da boa-f\u00e9 e do trabalho que empreguem nos seus esfor\u00e7os. No entanto, ainda que n\u00e3o possamos sequer imaginar a enorme variedade, riqueza e engenho que se mobilizariam para fazer frente aos problemas derivados de uma pandemia numa sociedade livre, dispomos de m\u00faltiplos ind\u00edcios que nos permitem ter uma ideia aproximada do cen\u00e1rio completamente distinto que surgiria num meio n\u00e3o coagido pelo Estado.<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref21\">[37]<\/a><\/p>\n<p>Assim, por exemplo, em compara\u00e7\u00e3o com confinamentos absolutos e omnirepressivos \u2013 e a concomitante paragem econ\u00f3mica \u2013 (que tiveram origem, n\u00e3o nos esque\u00e7amos, nada mais e nada menos que na China comunista), numa sociedade livre seriam preponderantes medidas muito mais descentralizadas, de tipo desagregado e \u201cmicro\u201d, como os confinamentos selectivos, ao n\u00edvel de urbaniza\u00e7\u00f5es (privadas), bairros, comunidades, empresas, resid\u00eancias, etc. Frente \u00e0 censura durante as semanas chave do in\u00edcio da Pandemia (e a persegui\u00e7\u00e3o daqueles que a descortinaram), a informa\u00e7\u00e3o circularia de forma livre, eficiente, e a enorme velocidade. Frente \u00e0 lentid\u00e3o e incompet\u00eancia na hora de controlar os poss\u00edveis contagiados atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de testes, os empres\u00e1rios e propriet\u00e1rios de hospitais, resid\u00eancias, aeroportos, esta\u00e7\u00f5es, meios de transporte, etc., introduziriam, por seu pr\u00f3prio interesse e dos seus clientes, esses testes de imediato e com grande agilidade. Salvo em momentos muito pontuais, numa sociedade e mercados livres n\u00e3o surgiriam problemas graves de falta de abastecimento nem engarrafamentos na produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se desaconselharia o uso de m\u00e1scaras, nem depois se imporia o seu uso de forma disparatada em todas as circunst\u00e2ncias. O engenho empresarial focar-se-ia em testar, descobrir e inovar solu\u00e7\u00f5es, de maneira polic\u00eantrica e concorrencial, e n\u00e3o como agora, onde a planifica\u00e7\u00e3o central e monopolista do Estado bloqueia e adormece a maior parte do potencial criativo da humanidade.<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref22\">[38]<\/a> Isto para n\u00e3o falar da enorme vantagem comparativa que tem a iniciativa individual e a empresa privada para investigar e descobrir novos rem\u00e9dios e vacinas, pois, mesmo nas circunst\u00e2ncias actuais, os estados viram-se obrigados a recorrer a elas para os obter rapidamente, perante o clamoroso fracasso dos seus retumbantes e bem financiados institutos p\u00fablicos, quando chegou o momento de oferecer a tempo solu\u00e7\u00f5es efectivas.<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref23\">[39]<\/a> O mesmo caberia dizer a respeito da muito maior agilidade e efici\u00eancia das redes privadas de sa\u00fade (companhias de seguros sanit\u00e1rios, hospitais privados, institui\u00e7\u00f5es religiosas, funda\u00e7\u00f5es de toda a esp\u00e9cie, etc.), com a possibilidade de aumentar a capacidade com maior elasticidade e rapidez em \u00e9pocas de crise (deve recordar-se, como exemplo, que curiosamente quase 80% dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios do Estado \u2013 inclu\u00edda a vice-presidente do governo socialista<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref24\">[40]<\/a> \u2013 escolhem com total liberdade a sa\u00fade privada frente \u00e0 p\u00fablica, sem que, injustamente, se d\u00ea esta op\u00e7\u00e3o ao resto dos seus concidad\u00e3os espanh\u00f3is, facto que n\u00e3o obstou, ainda assim, a que pelo menos um quarto dos mesmos tivessem assumido o sacrif\u00edcio que implica o custo adicional de contratar uma ap\u00f3lice privada de sa\u00fade). E assim sucessivamente, etc., etc..<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref25\">[41]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Servilismo e obedi\u00eancia dos cidad\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p>Como conclus\u00e3o desta parte, convinha, talvez, perguntar o porqu\u00ea de, apesar de todas as insufici\u00eancias, car\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 gest\u00e3o estatal postas em manifesto pela an\u00e1lise econ\u00f3mica,<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref26\">[42]<\/a> a maioria dos cidad\u00e3os, seduzidos pelos seus pol\u00edticos e pelas suas autoridades p\u00fablicas, continuam, no entanto, a obedecer com tanta resigna\u00e7\u00e3o e disciplina. Em 1574, data em que apareceu o seu <em>Discurso da Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria<\/em>, Etienne de la Bo\u00e9tie<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref27\">[43]<\/a> identificou quatro factores que explicam o servilismo do cidad\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos governantes e \u00e0 autoridade, e que continuam a ter, hoje em dia, plena actualidade: o costume de obedecer a algu\u00e9m, que, sendo de origem tribal e familiar, se extrapola ao n\u00edvel de toda a sociedade; a perene autoapresenta\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico com um r\u00f3tulo de \u201csagrado\u201d (vontade divina no passado, soberania popular e apoio democr\u00e1tico no presente) que legitimaria supostamente a obriga\u00e7\u00e3o de obedecer; a constante cria\u00e7\u00e3o de um numeroso grupo de incondicionais (antes, \u201cguardas pretorianos\u201d; agora, especialistas, funcion\u00e1rios, etc.), que dependem do poder pol\u00edtico para subsistir e continuamente o apoiam, exaltam e sustentam; a compra, do apoio popular mediante a cont\u00ednua concess\u00e3o de subs\u00eddios (antes, rendas e pr\u00e9mios; agora, por exemplo, as presta\u00e7\u00f5es do interesseiramente denominado \u201cEstado-Provid\u00eancia\u201d), que convertem os cidad\u00e3os progressiva e irreversivelmente em dependentes do poder pol\u00edtico. Se a isto acrescentamos o medo (que incita o pr\u00f3prio Estado) e que gera a peti\u00e7\u00e3o ao governante para que fa\u00e7a algo, especialmente em \u00e9pocas de crises graves (guerras, pandemias), pode explicar-se o crescimento e a consolida\u00e7\u00e3o do comportamento servil por parte dos cidad\u00e3os, principalmente neste tipo de situa\u00e7\u00f5es. Todavia, basta aprofundar um pouco a quest\u00e3o em termos te\u00f3ricos e filos\u00f3ficos para que se ponha de manifesto a falta de legitimidade moral e \u00e9tica da autoridade especial que se atribui ao Estado. Assim o demonstrou, entre muitos outros, Michael Huemer, no seu livro intitulado <em>The Problem of Political Authority<\/em>.<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref28\">[44]<\/a> Obviamente que n\u00e3o podemos aqui desenvolver este grave problema que est\u00e1, sem d\u00favida alguma, na base da principal crise social do nosso tempo (e, em certo sentido, de todos os tempos). Mas, no contexto da an\u00e1lise econ\u00f3mica das pandemias que estamos a fazer, o que podemos constatar \u00e9 que existe um \u201cv\u00edrus\u201d ainda mais letal que o da actual Pandemia e que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o do estatismo, \u201cque infecta a alma humana e nos contagiou a todos\u201d.<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref29\">[45]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn1\">[18]<\/a> Ludwig von Mises, \u201cDie Wirstschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinweisen\u201d, <em>Archiv f\u00fcr Sozialwissenschaft und Sozialpolitik<\/em>, n.\u00ba 47, 1920, p\u00e1gs. 86-121 [Uma tradu\u00e7\u00e3o inglesa pode ser consultada em: <a href=\"https:\/\/mises.org\/library\/economic-calculation-socialist-commonwealth\">https:\/\/mises.org\/library\/economic-calculation-socialist-commonwealth<\/a>. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn2\">[19]<\/a> Outra ilustra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica concreta, neste caso ocorrida do outro lado da Cortina de Ferro, durante os \u00faltimos anos de comunismo sovi\u00e9tico, foi a explos\u00e3o da central at\u00f3mica de Chernobil, a 26 de Abril de 1986, que deu azo a rios de tinta em coment\u00e1rios e an\u00e1lises, cujo contexto e principais vicissitudes est\u00e3o admiravelmente expostos na s\u00e9rie <em>Chernobyl<\/em>, produzida e distribu\u00edda em cinco cap\u00edtulos pela HBO-SKY, em 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn3\">[20]<\/a> Por exemplo, Mikel Buesa, <em>Abuso de poder: el coronav\u00edrus em Espa\u00f1a. Incompetencia y fracaso en la gesti\u00f3n de la crisis<\/em>, Marcial Pons, Madrid 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn4\">[21]<\/a> Jes\u00fas Huerta de Soto, <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, 6.\u00aa ed., Madrid 2020, em particular p\u00e1gs. 87-155.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn5\">[22]<\/a> \u201cO irresol\u00favel paradoxo do estatismo \u00e9 que, quanto mais se empenha o \u00f3rg\u00e3o director em planificar ou controlar um determinado \u00e2mbito da vida social, menos possibilidades ter\u00e1 de conseguir os seus objectivos, ao n\u00e3o conseguir obter a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para organizar de forma coordenada a sociedade, criando, al\u00e9m do mais, novos e mais gravosos desajustes e distor\u00e7\u00f5es, precisamente na medida em que a sua coer\u00e7\u00e3o seja exercida de forma mais efectiva e mais se limite com isso a livre capacidade empresarial dos seres humanos.\u201d Ibid. p\u00e1g. 103.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn6\">[23]<\/a> Publicado por partes pelo di\u00e1rio <em>El Pa\u00eds<\/em> entre 14 e 28 de Junho de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn7\">[24]<\/a> Mikel Buesa, <em>Abuso de poder: el coronavirus en Espa\u00f1a. Incompetencia y fracaso en la gesti\u00f3n de la crisis<\/em>, ob. cit. No entanto, o professor Buesa enfatiza mais a incompet\u00eancia que o pr\u00f3prio sistema como a causa dos erros e, na parte final do seu por outro lado excelente trabalho, praticamente cinge as suas propostas de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas a mais pol\u00edticas activas de tipo estatal (excep\u00e7\u00e3o feita ao mercado de trabalho) como forma de fazer as coisas melhor do que se fizeram e, assim, sair da crise (!). Al\u00e9m disso, h\u00e1 que ter em considera\u00e7\u00e3o a err\u00f3nea interpreta\u00e7\u00e3o keynesiana que faz crise na p\u00e1g. 203.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn8\">[25]<\/a> Como \u00e9 do conhecimento geral, os pre\u00e7os m\u00e1ximos geram desprovimento, escassez e mercado negro. Em caso de necessidade urgente de um produto (por exemplo, as m\u00e1scaras) a \u00fanica pol\u00edtica sensata \u00e9 liberalizar os pre\u00e7os para que subam o que for preciso, e assim incitar a sua produ\u00e7\u00e3o em massa at\u00e9 que o aumento da procura seja satisfeito e o problema se resolva, sendo a experi\u00eancia manifesta a que os pre\u00e7os rapidamente voltam ao seu n\u00edvel pr\u00e9vio (ou pelo menos muito antes de que se consiga o necess\u00e1rio incremento da produ\u00e7\u00e3o por via p\u00fablica, a que, ao contr\u00e1rio do que sucede no mercado livre, sempre chega tarde, a \u201cconta-gotas\u201d e com uma qualidade muito baixa). Portanto, o argumento de que os pre\u00e7os altos n\u00e3o s\u00e3o equitativos carece de sentido pois a alternativa \u00e9 muito pior: falta de abastecimento muito mais prolongada, mercado negro e produtos de baixa qualidade; se se quer assegurar que os mais desfavorecidos possam adquirir m\u00e1scaras a baixo pre\u00e7o e quanto antes \u00e9 necess\u00e1rio permitir que o pre\u00e7o suba inicialmente no montante que o mercado estime.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn9\">[26]<\/a> No momento em que escrevemos estas linhas, repetem-se todos estes problemas no processo lento e descoordenado relativo \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o e vacina\u00e7\u00e3o do COVID-19 a toda a popula\u00e7\u00e3o (tamb\u00e9m ele monopolizado pelas autoridades p\u00fablicas, com total exclus\u00e3o da iniciativa privada). Hans-Werner Sinn, \u201cLa debacle vacunatoria em Europa\u201d, <em>Expansi\u00f3n<\/em>, 1 de Fevereiro de 2021, p\u00e1g. 38.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn10\">[27]<\/a> [O autor refere-se, indirecta e respectivamente, a Salvador Illa, Ministro da Sa\u00fade e licenciado em Filosofia e a Pedro Sanch\u00e9z, Presidente do Governo, doutorado em Economia por um j\u00fari de amigos, com uma tese alegadamente plagiada de relat\u00f3rios do Minist\u00e9rio de Ind\u00fastria sobre a diplomacia econ\u00f3mica espanhola. Conferir, por exemplo: <a href=\"https:\/\/www.libertaddigital.com\/espana\/2018-09-12\/que-se-sabe-realmente-de-la-tesis-de-pedro-sanchez-1276624796\/\">https:\/\/www.libertaddigital.com\/espana\/2018-09-12\/que-se-sabe-realmente-de-la-tesis-de-pedro-sanchez-1276624796\/<\/a> (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn11\">[28]<\/a> Jes\u00fas Huerta de Soto, <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, ob. cit., p\u00e1gs. 110-135.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn12\">[29]<\/a> \u201cO sistema socialista vai tender a abusar da <em>propaganda<\/em> de tipo pol\u00edtico, por meio da qual tentar\u00e1 apresentar uma vers\u00e3o id\u00edlica dos efeitos dos mandatos do \u00f3rg\u00e3o dirigente sobre o corpo social, ressaltando em particular as consequ\u00eancias sociais negativas de n\u00e3o intervir. O engano sistem\u00e1tico da popula\u00e7\u00e3o, a distor\u00e7\u00e3o dos factos (&#8230;) para convencer o p\u00fablico de que \u00e9 preciso que o poder se mantenha e se reforce, etc., s\u00e3o caracter\u00edsticas t\u00edpicas do efeito perverso e corruptor que o socialismo tem sempre sobre os seus pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os ou centros de poder.\u201d Jes\u00fas Huerta de Soto, <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, ob. cit., p\u00e1g. 122. De novo, a actua\u00e7\u00e3o dos governos est\u00e1 bem retratada na inquietante pergunta com se que finaliza a serie <em>Chernobyl<\/em> antes referida: \u201cQual foi o verdadeiro custo das mentiras?\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn13\">[30]<\/a> [Depois de meses de press\u00f5es diplom\u00e1ticas (os Estados Unidos exigiam publicamente uma inspec\u00e7\u00e3o desde Abril de 2020), a China finalmente acedeu a deixar entrar uma equipa de 13 inspectores da OMS no dia 14 de Janeiro de 2021, sujeitando-os contudo a 14 dias de quarentena. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn14\">[31]<\/a> Ibid. p\u00e1g. 117.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn15\">[32]<\/a> Ibid. p\u00e1gs. 126-133.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn16\">[33]<\/a> Ibid. p\u00e1gs. 142-146.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn17\">[34]<\/a> [O termo \u201carrog\u00e2ncia fatal\u201d \u00e9, obviamente, uma refer\u00eancia clara ao \u00faltimo livro de Friedrich Hayek, <em>The Fatal Conceit<\/em>:<em> The Errors of Socialism<\/em>, Routledge, Londres, 1988, onde este, com a ajuda do fil\u00f3sofo W.W. Bartley III, que editou este livro com bastante independ\u00eancia, tenta resumir a ideia de que uma sociedade, ou ordem alargada, \u00e9 o resultado de comportamentos institucionais, vulgo tradi\u00e7\u00f5es, demasiado complexas, para ser racionalmente capturadas por um, ou um conjunto de indiv\u00edduos, que conseguissem substitui-las por institui\u00e7\u00f5es mais perfeitas (da\u00ed o t\u00edtulo, a arrog\u00e2ncia faltal). Esta ideia de que os indiv\u00edduos, na tentativa racional de resolverem os seus fins particulares, trope\u00e7am em solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o intencionadas para resolver os problemas mais amplos da sociedade, em particular para reduzir a incerteza inerradic\u00e1vel, \u00e9 uma ideia sempre presente nos escritos do professor Huerta de Soto, que \u00e9, neste cap\u00edtulo, claramente influenciado pelo autor austr\u00edaco. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn18\">[35]<\/a> Os cont\u00ednuos desajustes que o intervencionismo gera costumam ser atribu\u00eddos por especialistas e governantes \u00e0 \u201cfalta de colabora\u00e7\u00e3o\u201d dos cidad\u00e3os e utilizam-se como uma justifica\u00e7\u00e3o adicional para novas doses de coer\u00e7\u00e3o institucional, num processo de crescimento totalit\u00e1rio do poder, que, perante o crescimento da descoordena\u00e7\u00e3o, costuma vir acompanhado de cont\u00ednuas \u201cguinadas ou mudan\u00e7as s\u00fabitas de pol\u00edtica, seja alterando significativamente o conte\u00fado dos mandatos, a \u00e1rea em que se aplicam, ou ambos, tudo na v\u00e3 esperan\u00e7a de que a \u2018experimenta\u00e7\u00e3o\u2019 assistem\u00e1tica de novos tipos e graus de intervencionismo permita solucionar os problemas irresol\u00faveis que se criaram.\u201d Talvez o vexante epis\u00f3dio das m\u00e1scaras, primeiro desaconselhadas pelos especialistas, para dois meses depois serem consideradas imprescind\u00edveis e declaradas de uso obrigat\u00f3rio inclusivamente ao ar livre (!) seja uma ilustra\u00e7\u00e3o perfeita deste ponto. Veja-se, Jes\u00fas Huerta de Soto, <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, ob. cit., p\u00e1gs. 112-113. Veja-se igualmente, \u201cMacron e la vaccinaci\u00f3n\u201d, <em>El Pa\u00eds<\/em>, 10 de janeiro de 2021, p\u00e1g. 10. J\u00e1 para n\u00e3o mencionar a tr\u00e1gica realidade da discrimina\u00e7\u00e3o a que os lares de idosos foram submetidos pelas <a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">autoridades p\u00fablicas ou o facto de que, nos momentos mais cr\u00edticos da Pandemia, em muitas ocas<\/a>i\u00f5es tivesse sido um funcion\u00e1rio (m\u00e9dico de um hospital p\u00fablico) quem decidiu que pacientes cr\u00edticos de COVID-19 mereciam ou n\u00e3o viver.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn20\">[36]<\/a> Israel Kirzner, <em>Discovery and the Capitalist Process<\/em>, The University of Chicago Press, Chicago e Londres, 1985, p\u00e1g. 168.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn21\">[37]<\/a> Por exemplo, a utiliza\u00e7\u00e3o por parte da empresa privada INDITEX (\u201cZara\u201d) dos seus centros de log\u00edstica e transporte afectos \u00e0 China permitiu trazer para Espanha, em tempo recorde, mais de 35 milh\u00f5es de unidades de protec\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria (para al\u00e9m de 1200 ventiladores) que, utilizando os canais p\u00fablicos habituais, teriam chegado muito mais tarde e em piores condi\u00e7\u00f5es. Ou o caso do restaurante \u201cCoque\u201d, com duas estrelas da Guia Michelin, que elaborou e distribuiu em Madrid milhares de refei\u00e7\u00f5es para os necessitados e afectados pela Pandemia, etc. etc.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn22\">[38]<\/a> Entre muitos outros estudos, o artigo cl\u00e1ssico os de F.A. Hayek, <em>\u201c<\/em>Competition as a Discovery Procedure<em>\u201d<\/em>, em <em>New Studies in Philosophy, Politics, Economics and the History of Ideas<\/em>, Routledge, Londres, 1978. [O artigo original foi publicado em alem\u00e3o. Uma outra tradu\u00e7\u00e3o para ingl\u00eas pode ser encontrada aqui: <a href=\"https:\/\/mises.org\/library\/competition-discovery-procedure-0\">https:\/\/mises.org\/library\/competition-discovery-procedure-0<\/a> (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn23\">[39]<\/a> Os governos, utilizando continuamente um duplo crit\u00e9rio, denunciam imediatamente qualquer falha, por mais pequena que seja, do sector privado, ao mesmo tempo que consideram que as falhas muito maiores e clamorosas do sector p\u00fablico s\u00e3o a prova definitiva de que n\u00e3o se gasta o suficiente e que \u00e9 necess\u00e1rio aumentar o seu tamanho, a despesa p\u00fablica e os impostos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn24\">[40]<\/a> [A Vice-Presidente do governo, Carmen Calvo, defensora da sa\u00fade p\u00fablica ao ponto de afirmar que esta s\u00f3 existe por obra e gra\u00e7a do seu partido, acudiu a centros de sa\u00fade privados para o tratamento da infec\u00e7\u00e3o por coronav\u00edrus de que foi v\u00edtima. Confira-se em: <a href=\"https:\/\/okdiario.com\/espana\/asi-defendia-carmen-calvo-mitin-del-psoe-sanidad-publica-antes-usar-privada-5344638\">https:\/\/okdiario.com\/espana\/asi-defendia-carmen-calvo-mitin-del-psoe-sanidad-publica-antes-usar-privada-5344638<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/politica\/carmen-calvo-ingresada-clinica-privada_1_1011801.html\">https:\/\/www.eldiario.es\/politica\/carmen-calvo-ingresada-clinica-privada_1_1011801.html<\/a>, <a href=\"https:\/\/okdiario.com\/espana\/carmen-calvo-acude-hospi%20tal-privado-san-francisco-asis-acompanada-del-medico-moncloa-6779899\">https:\/\/okdiario.com\/espana\/carmen-calvo-acude-hospi tal-privado-san-francisco-asis-acompanada-del-medico-moncloa-6779899<\/a> (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn25\">[41]<\/a> Como \u00e9 obvio, aquelas autoridades p\u00fablicas que intervieram e coagiram relativamente menos os seus cidad\u00e3os, como s\u00e3o os casos de Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura ou, mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, a Comunidade Aut\u00f3noma de Madrid, mesmo n\u00e3o tendo conseguido desembara\u00e7ar-se completamente dos problemas irresol\u00faveis do intervencionismo estatal, tendem a conseguir resultados comparativamente melhores, algo que tamb\u00e9m constitui um ind\u00edcio e uma ilustra\u00e7\u00e3o adicional \u00e0s referidas no texto principal. Incidentalmente, o ditado que diz que \u201cmetade da Espanha dedica-se a regular, inspecionar ou sancionar a outra metade\u201d, e que tem um grande fundo de verdade, convida a pensar que, pelo menos, um efeito positivo do confinamento e da paragem radical consistiu precisamente na tr\u00e9gua de press\u00e3o que, neste \u00e2mbito, se p\u00f4de sentir, pelo menos parcialmente e durante uns meses, na sociedade civil.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn26\">[42]<\/a> N\u00e3o fizemos refer\u00eancia no texto principal \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es da denominada \u201cEscola da Escolha P\u00fablica\u201d (Public Choice School), que, a respeito das falhas da gest\u00e3o p\u00fablica democr\u00e1tica (em particular aquilo a que se chama os efeitos da racionalidade da escolha do votante, o papel perverso dos grupos de interesses privilegiados, a miopia e a vis\u00e3o de curto prazo governamental e o car\u00e1cter megal\u00f3mano e ineficiente das burocracias) tanta projec\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou a partir dos anos 80 do s\u00e9culo passado (o seu pioneiro e principal impulsionador, James M. Buchanan, obteve o Pr\u00e9mio Nobel de Economia em 1986), e que devem considerar-se aqui como reproduzidas (veja-se, adicionalmente, a bibliografia que cito na nota 25 da p\u00e1g. 121 do meu livro <em>Socialismo, c\u00e1lculo econ\u00f3mico y funci\u00f3n empresarial<\/em>, ob. cit.).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn27\">[43]<\/a> [Uma tradu\u00e7\u00e3o inglesa pode ser encontrada em: <a href=\"https:\/\/maisliberdade.pt\/biblioteca\/the-politics-of-obe%20dience-the-discourse-of-voluntary-servitude\/\">https:\/\/maisliberdade.pt\/biblioteca\/the-politics-of-obe dience-the-discourse-of-voluntary-servitude\/<\/a>. O autor citava originalmente a tradu\u00e7\u00e3o espanhola. (N.T.)]\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn28\">[44]<\/a> Traduzido em espanhol por Javier Serrano e publicado pela Editorial Planeta-Deusto, em Bilbau, em 2019, o livro tem o sugestivo subt\u00edtulo de \u201cUm ensaio sobre o direito \u00e0 coer\u00e7\u00e3o por parte do Estado e sobre o dever de desobedi\u00eancia por parte dos cidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn29\">[45]<\/a> Jes\u00fas Huerta de Soto, \u201cIl virus pi\u00f9 letale\u201d, <em>Il Giornale<\/em>, Mil\u00e3o, 14 de Maio de 2020, p\u00e1gs. 1 e 24. Vers\u00e3o posteriormente publicada em espanhol, \u201cEl virus m\u00e1s letal\u201d, <em>Procesos de Mercado<\/em>, vol. XVII, n.\u00ba 1, Primavera 2020, p\u00e1gs. 439-441. [O texto apareceu em portugu\u00eas no jornal P\u00fablico: <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/%202020\/06\/13\/opiniao\/noticia\/virus-letal-1920028\">https:\/\/www.publico.pt\/ 2020\/06\/13\/opiniao\/noticia\/virus-letal-1920028<\/a>. Tamb\u00e9m se pode ver uma vers\u00e3o gravada em v\u00eddeo pelo pr\u00f3prio Huerta de Soto, no YouTube: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/%20watch?v=SHXSRJWAMdI\">https:\/\/www.youtube.com\/%20watch?v=SHXSRJWAMdI<\/a> (N.T.)]\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":8330,"menu_order":0,"template":"","article-language":[],"class_list":["post-8360","articulo","type-articulo","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo\/8360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/articulo"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/articulo\/8330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"article-language","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jesushuertadesoto.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/article-language?post=8360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}